sábado, 22 de janeiro de 2011

Profunda tristeza...

Estranho mundo este, que sacrifica as crianças e descarta os velhos.

"Escolhas
from Uma Mulher não chora by CF

Não posso pagar. Chega para um, não dá para os dois, e é dois que nós somos. Que faço agora? Escolho qual de nós vai morrer, e resolvo o assunto?

Discurso proferido por alguém considerávelmente diminuído nas suas funções vitais, na decorrência de uma enfisema pulmonar. A esposa, vitima de Acidente Vascular Cerebral, perdeu a fala e a mobilidade há dois anos. Eram residêntes de um Lar clandestino, encerrado recentemente pelo Serviço de Segurança Social da área, por denúncia de carências graves, a diversos níveis. Nesse lar, onde pouco se comia, o dinheiro chegava para os dois.

Deixo apenas algumas questões, por me parecerem pertinentes; a quem recorre esta gente, sem família e sem bens? Porque não disponibiliza a Misericórdia e as IPSS, lugares suficientes, para quem delas verdadeiramente necessita? Porque será, que mesmos nestas Instituições, ditas de solidariedade social, entram, muitas das vezes, os que mais podem, em detrimento dos que mais precisam? Porque compactua o estado, com situações clandestinas que teimam em surgir, pela procura efectiva que têm, devido aos preços mais baixos que praticam? Porque se exige em demasia das entidades credenciadas, e se fecham muitas vezes os olhos aos cogumelos que germinam a cada esquina, onde as necessidades básicas são muitas das vezes negligenciadas? Porque não se tenta uma regulamentação mais eficaz e menos burocrática dos serviços, a bem de todos?

Podia continuar, mas fico-me por aqui. Não encontro respostas, pelo que engrossar a lista, nem me parece acto sensato. A quem me souber responder a uma que seja, faça o favor. Gostaria muito."

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