quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Para os meus amores

Hoje tropecei por acaso numa carta. Uma carta de um pai. De certo a pior das cartas que algum pai pode ter que escrever, de certo a única carta que todos os pais desejam nunca ter de escrever.
Sacudi o terror que me tomou de assalto com as tarefas do quotidiano.

Ao adormecer a L., o silêncio da escuridão, entreabriu a porta ao temor.
- Posso-me agarrar a ti?
- Claro que podes mamã!
(silêncio)
- Mas porque é que hoje te queres agarrar a mim?

Porque, meu amor, na vida, há medos que nos aparecem de forma tão ingrata e crua, que não conseguimos controlar. Que se não os debelamos, nos tolhem os movimentos, nos secam o ânimo, nos definham a existência. Temos de os aceitar e avançar.

Porque, meu amor, não há nada melhor na vida que o calor do vosso abraço.

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