
Poucas recordações me trazem tanto calor como as de infância em Favaios. Talvez por serem de infância, talvez por serem de férias, mas tenho para mim que por serem em família, que férias e infância também tive no Porto.
A sala minúscula, a abarrotar de gente e de mobília, que ainda hoje, ao olhar para ela, meia despida, meia vazia, estranho a proeza.
As histórias e a catequese na fresca da varanda, porque na falta da oficial, aprendíamos a oficiosa, não fossemos enveredar pela heresia.
Os jogos na canelha, em que o desequilíbrio do pé coxinho nos conduzia, invariavelmente, aos dejectos das insolentes galinhas, que connosco partilhavam a fresca.
As sestas forçadas no quarto da frente, embaladas pelas discussões dos homens na batota e das padeiras a tender o pão.
O pequeno almoço que a avó A. às vezes até trazia à cama, que hoje sou incapaz de tomar, mas que na altura me sabia pela vida.
O cheiro a terra depois das trovoadas, prontamente afastadas pelo apego da avó A. a Santa Bárbara, que as do Castedo são as mais perigosas.
As manhãs e as tardes de vindimas, a praguejar sem a avó A. ouvir, porque, pior que a Ferreirinha, nos fazia apanhar todos os bagos do chão.
Que por bons amigos que tenhamos, e eu tenho a sorte de ter os melhores do mundo, a família é a nossa casa, e sempre que passo o Marão, agora menos vezes que as desejadas, renascem-me o ânimo e a vontade.
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