O M. faz hoje anos.
O M. está nas estrelinhas há 2 anos... vencido por um tumor que lhe consumiu 7 anos em lutas persistentes. Anos de esperanças e desesperanças, vividos com a normalidade possível, e uma força inigualável, que de alguma forma nos servem hoje de guia, na incerteza da "massa na barriga" da R'. (Obrigado M.)
O M. vinha buscar-nos para as férias de Verão na aldeia.
Carregava a sua banheira com os 6 primos e arrancava. Impensável nos dias de hoje para uma viagem de 100m, e mais ainda para os 140km de curvas e contra-curvas de estradas nacionais e municipais até ao nosso destino!
Ouvíamos as cassetes pacientemente gravadas das emissões de rádio pela R'.
Músicas dos anos 60, "Isto é que é!", e cantávamos desalmada e desafinadamente durante as mais de 3 horas que durava a viagem.
O M. levava-nos ao rio.
O ponto de reunião diário eram as escadas lá de casa, onde se juntavam, literalmente, todos os jovens da aldeia, para aproveitar a boleia na descida de alguns quilómetros até ao rio, onde passávamos as tórridas tardes de Verão.
Pelo caminho ainda apanhávamos os que, por impaciência, tinham iniciado antecipadamente a caminhada. Tantos quantos a carroçaria da pick-up permitisse.
O M. sentava-se à cabeceira nos jantares de família.
Quando estava bem disposto a refeição não acabava sem as piadas argutas, cujos alvos eram invariavelmente a avó A. e o Rocha, e que produziam um afinadíssimo coro de gargalhadas familiares.
Quando a L. tinha 2 anos disse-me que ia pedir um comboio ao Pai Natal.
- Porquê filhota?
- Vou buscar o M. às estrelinhas!
- Não podes filha, ele tem de ficar lá... está com os anjinhos...
- Mas nós temos saudades!...
- Pois temos meu amor...
Acho que o Pai Natal fez a vontade à L.. Sempre que recordas o M. estás a usar o comboio...
ResponderEliminarBjs