Estou na Praça da Batalha, no Porto. Desço para Sá de Bandeira. O homem vem subindo, curvado, macilento. A sua roupa fala de um bem-estar perdido, de dores e desespero, urgências, medo. A uns dez passos encara-me. Lê-se-lhe a aflição no rosto, mede-me, vai ousar, sente que não lhe negarei a esmola, agora ao meu lado quase me toca. Mas os nossos olhares cruzam-se, hesita um nada, a vergonha empurra-o e continua o passo, falta-me coragem para detê-lo."
JRC, tempocontado.blogspot.com
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