Irra que já tinha deixado queimar o refogado!
Raça mate na canalha que não tinha paragem, todo o dia a azucrinar-lhe a cabeça, não tivesse ela já preocupações que chegassem. Bem bondava a falta do que atirar para a panela, que sempre eram cinco bocas para alimentar, muitas vezes com caldo de feijões, colhidos ali mesmo no cibo de terra que ocupava, e enquanto assim era menos mal, que logo que se esgotavam sobejavam-lhe os trabalhos, vinha agora a Aurora dizer-lhe que não podia tomar conta dos pequenos. Ia ter com o homem à Suíça, que já se sabe, por cá não se arranja trabalho, e ela é que não tinha culpa disso, e agora também não tinha quem se ocupasse da canalha nas horas que dava na casa da patroa, que o dinheiro nunca lhe chegava para os gastos. Tanto pior, iam ter de se arranjar sozinhos, o mais velho até já era capaz de olhar pelos irmãos, não fosse ter de ir à escola e a coisa resolvia-se. Talvez a Dona Adélia lhe valesse, que não gostava nada da velha, sempre a botar faladura no que não lhe dizia respeito, moía-lhe o juízo com avisos do seu José, que não ia longe aquele homem, assim amigo de mandriar, mas atendendo à necessidade bem podia fazer ouvidos de mercador, e amanhã havia de falar com ela antes de pegar na senhora.
E agora, valha-me Deus, que o arroz ia ficar a saber a bispo?
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