"Mulher negra, quase analfabeta, ... nascida na Virgínia, filha de escravos, foi viver com o marido, em 1941, para os arredores de Baltimore, onde teve cinco filhos.
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Em 1951 foi-lhe diagnosticado um cancro e os médicos, sem lhe pedirem autorização, recolheram tecidos para estudo. Nas provetas de recolha, ficou inscrita como He La.
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As células recolhidas deveriam morrer passado algum tempo, mas tal não aconteceu. Pelo contrário, ao fim de 24 horas tinham duplicado e continuaram a multiplicar-se ao mesmo ritmo.
A notícia empolgou a comunidade científica e, quando Henrietta Lacks morreu, em Outubro de 1951, as células do seu corpo foram entregues a laboratórios em todo o mundo.
A imortalidade das células He La tem permitido uma fantástica evolução da medicina. Foram utilizadas para produzir uma vacina contra a poliomielite. Viajaram até ao espaço, para serem submetidas a experiências sob gravidade zero. São utilizadas na pesquisa de tratamentos cancerígenos e da SIDA.
Serviram de base à maioria dos progressos científicos da segunda metade do século XX e, hoje em dia, especula-se sobre a possibilidade de, através do seu estudo, se conseguir a imortalidade das nossas células.
Até meados dos anos 90, não se conhecia a identidade das células He La. Os médicos não queriam divulgar o nome de Henrietta Lacks, pelo facto de não terem obtido consentimento para a recolha dos tecidos. Acresce que, apesar do inestimável contributo da mãe, para a Humanidade, os filhos nem sequer tinham direito a um seguro de saúde...
Hoje, a história da vida desta mulher negra, baptizada como Loretta Pleasant e que ninguém sabe explicar como se passou a chamar Henrietta Lacks, é conhecida em quase todo o mundo graças a uma estudante de Biologia que, durante uma aula, viu a sua fotografia e decidiu investigar a sua vida.
O resultado é um livro “ The Immortal Life of Henrietta Lacks” da autoria de Rebecca Skoot.”
Em Crónicas do Rochedo
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