terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Dos receios


Nem bem sei explicar o temor, que quando chega o estrondo já o perigo passou há muito, e as de cá nem aparentam às do Castedo, com poderes de rasgar o céu e tudo o mais que lhes cruze o caminho.

Valia-nos então o apego da avó A. a Santa Bárbara, Santa Bárbara, Bendita, Que no céu está escrita, Com papel e água benta, Para espantar esta tormenta, Espalhe-a lá para bem longe, Onde não haja eira nem beira, Nem raminho de oliveira, Nem raminho de figueira, Nem mulheres com meninos, Nem ovelhas com borreguinhos, Nem vacas com bezerrinhos, Nem pedrinhas de sal, Nem nada que faça mal, Amén. A oração tantas vezes repetida, e se da Páscoa restasse algum ramo de oliveira benzido tanto melhor, que a Santa havia de a escutar e levá-las para sítio ermo.

Contam-nos que o M. sofreu agruras por zombar do avô, homem robusto mas temeroso, que quando as sentia se cobria com uma manta, daquelas da serra, dizia, com poderes de o resguardar.
E se assim é, não renego a herança, que sempre que ouço o estrondo me cresce a vontade de procurar abrigo.

2 comentários:

  1. Tens uma "memória de elefante".
    Ainda te lembras da oração???
    Realmente era assustador. Agora não tem havido asim tão intensas.
    Bjs

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  2. A bem da verdade lembrava-me do início, depois a memória informática deu uma ajudinha... ;)

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