terça-feira, 23 de novembro de 2010

She rules!


Quando há uns tempos li este(1) post confesso que fiquei ligeiramente indignada.
Não tanto porque a minha Dona S., não sendo propriamente uma santa, em nada se assemelhava aos diabos descritos, mas porque: EU USO MOLAS DE ROUPA PARA FECHAR SACOS.

O dito post ficou ali arrumadinho, no meu subconsciente, e cada vez que a Dona S. pegava na comida que sobrava e a levava, grata, para a refeição da noite, "Que esta vida não está fácil menina...", eu visualizava a sua auréola a crescer e congratulava-me com a minha sorte.

E assim fomos andando, até que quase fosse elevada ao estatuto de mártir, por demais castigada pela vida, sem sorte com o marido, que o gosto pelo álcool lhe toldava o juízo, e pouca sorte com os filhos, desgarrados e transviados, sem que a Dona S. lhes pudesse ter mão.

Digo fomos andando porque um destes dias, em chegando a casa fora de horas, fui dar com as sobras do arrozinho de bróculos que ela levaria, grata, para a refeição da noite, "Que esta vida não está fácil menina...", no saco do lixo.

Que o caldo já não andaria muito bom é certo, pois que já me vinha dizendo que não era apreciadora de arroz de tomate, salmão, e outros, que agora não me lembro que a lista se tornou extensa, e que, para a maior parte do comum dos mortais, teria azedado de vez, também.
Mas para mim não, que tendo a ser um nadinha pior que o S. Tomé, e tenho de rever para crer.

E revi. Revi hoje ao almoço. Quando arrumava a cozinha, apressada pelo relógio, que a Dona S. tinha ido para passar a ferro, e pousou o prato na banca depois da refeição. Revi o arroz no saco do lixo, que talvez não lhe tivesse caído bem, coitada, apesar de a mim bem me ter sabido, e de o meu pai não se ter queixado, e de até nem ser de tomate.

Revi. E ainda assim não me bastou, que a Dona S. é honesta, e qualquer moeda que encontre desgarrada fica reservada à nossa espera, e a chave de casa não se entrega assim a qualquer um.



(1) Controversa Maresia, "a filosofar sobre as sopeiras ou o ipiranga das patroas"

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