terça-feira, 12 de outubro de 2010

Tio L.

De apelido, João de nome.
Nunca me habituei a vê-lo almoçar na varanda, em casa da avó A., que a nós não se juntava, não sei se por receio, se por imposição, se por independência, porque assim era ele.
Socorria-se das sobrinhas sempre que a existência errante não lhe corria de feição, e a fome lhe consumia as entranhas, ou o frio lhe atacava os ossos. As sobrinhas socorriam-se dele sempre que as refeições não agradavam, porque estavam proibidas as birras à mesa, “Olha que vem aí o tio L....!” .
Sempre que o adivinhava lá, reunia coragem para o espreitar na varanda, que a curiosidade sempre falou mais alto que o medo. Não recordo se alguma vez me falou.
A L. herdou-lhe o apelido, que o F., ignorante da história, e das minhas tentativas de o frustrar, assim a rebaptizou, e eu, convencida pelo uso, até já nem desgosto.

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