quarta-feira, 19 de maio de 2010

Na estrada

Neste meu regresso à vida activa, são os trajectos casa-trabalho/trabalho-casa, que me têm deixado assombrada.

Eu também fui assim, antes da licença.
Impelida pela urgência do cumprimento de horários, no primeiro caso, e pela necessidade de suprir a falta de tempo para a L., no segundo, entregava-me à prática de uma condução belicosa, sem qualquer deferência pelos restantes condutores ou, até mesmo, pelo Código da Estrada.

A tensão aumentava proporcionalmente ao número de "domingueiros", que teimosamente insistiam em ocupar as faixas destinadas a DEIXAR PASSAR QUEM TEM PRESSA, e atingia o clímax, se por acaso encontrava algum condutor "da palma da mão", que reclinado no assento, braço direito perfeitamente esticado e palma da mão no volante, fazia girar calmamente a rodela, cumprindo um verdadeiro ritual, até finalizar qualquer manobra.

Não foram raros os momentos em que o estado de stress atingido abriu caminho a uma condição de semi-loucura enraivecida, capaz de potenciar autênticos desatinos.

Entrar de licença de maternidade foi como ser admitida num programa dos Alcoólicos Anónimos.
Sei portanto, que como qualquer dependente, me encontro em reabilitação permanente, um percurso de cada vez, numa luta constante para não ceder à tentação.

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