sexta-feira, 5 de março de 2010

E o piolho vai sobreviver!

Estamos a meio do ano escolar e já é o segundo recado que a L. traz para casa a informar os pais que "se verificou o aparecimento de alguns casos de parasitas", listando em seguida todas as acções a implementar para evitar a sua propagação.

O ano passado foram 4.
Ao primeiro recado fui à farmácia comprar o temido "pente dos piolhos", assombrada pelas recordações da minha velha casa de banho com azulejos cor de rosa.
Sempre que a "Isabel Piolhosa" trazia piolhos para a escola, e acreditem que não eram parcas as vezes, já sabia que tinha de suportar a terrível tortura do "pente do piolho", amplamente potenciada pela minha farta cabeleira e pela vontade férrea da minha mãe de não deixar escapar um único parasita!
Não sabia se conseguia submeter L. a esse martírio. Pior, não sabia reconhecer um piolho ainda que o encontrasse! Pior ainda, como pedir o "pente dos piolhos" na farmácia da Baixa onde acabava de entrar, com o vasto movimento de um sábado de manhã?!
Optei pelo tom baixo, quase sussurrado. Não suficientemente baixo pelos vistos, tendo em conta que as duas senhoras que se acotovelavam comigo junto ao balcão se afastaram sem qualquer tipo de parcimónia. A farmacêutica veio em meu socorro, "Um pente da caspa?", não percebi, "Não, não, aqueles com os dentes muito juntinhos... para catar os piolhos!". Cresce a clareira à minha volta...
Saí da farmácia. O alívio da missão cumprida, ainda que a custo de algum embaraço. Tirei o pente do saco, queria-me certificar que não precisava de voltar atrás. Li a etiqueta, espantada com o preço, "PENTE DA CASPA", marcado em maiúsculas.


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